22.4.07

Poliglota

Sempre se precisa falar dos segredos. Os mais suportáveis e os outros. Os inomináveis. Os que não existem mais neste tempo mas que já foram um dia, notícias. Claramente, alguns não sobrevivem ao primeiro desencanto. Outros irão fazer dele um mártir. E terão aqueles que o esquecerão. Talvez eu seja do tipo que faça as três coisas.

Eu fico sempre olhando os que têm quase tudo na vida e me pergunto: se eu poderia um dia falar também quatro línguas. Ou se escreveria uma dissertação de mestrado. Ou se daria algum Workshop importante sobre moda. Na concepção grotesca da garota suicida, encontro o sentido que sempre evitamos. E que eu já sei : só há o possível quando não há mais o esconderijo das nossas palavras. Ou da omissão delas.

Rezo por um tratado pela deplorável sensatez que me encosta e não me deixa ir. Algumas vezes é como se tivesse que jogar fora o bilhete com o telefone anotado, para assim nunca mais discar o mesmo número.

Muita importância dada àqueles mesmos conceitos, que um dia você pensou ter se desfeito. Mas não conseguiu. E a memória, sempre oriunda de casos aleatórios e amores estraçalhados. Ela, sempre gritante por interromper o avanço desta incalculável solidão que se sobrepõe à graciosidade do mundo.

Se não fossem os doloridos desencontros pela ignorância em insistir em uma justificativa complexa ... e eu nem sabia que bastava apenas dar-se. Se eu soubesse que era amor.

O que se carrega eventualmente se torna absoluto. Terrivelmente, cada desejo secreto irá flutuar em uma piscina azul. E a surdez, convenientemente adquirida como escudo ou como espada não sustentará mais a falta dos anos. E de você.