4.2.07

Sem ruídos e nenhuma lágrima

Sem ruídos e nenhuma lágrima.
Alguns sonhos quando acontecem você realmente duvida.
A abstração e o desenho que na mente parecia pronto, se esvaiu.
Acontece que quando busco os olhares que eu imaginava ter ao meu lado não há mais.

Me vi pronta para não deixar que isto viesse a ser um cotidiano.
Até o Chico está me constrangendo.
Sua poesia é linda demais para estar junto de mim nesta hora.
Mas chegou o dia.

E minha especialidade dramática está calada. Envergonhada.
Onde está a minha capacidade em entrar na dor e me perder no meu choro impulsivo?
Não consigo.
Minha decência é tanta que agora a tristeza não cabe.

Mas sinto remexendo em algum lugar uma coragem de não agir como o esperado.
Já no limite preciso que venha agora alguma lágrima.
Ou um algo qualquer que faça esta impossibilidade de lamentar ir embora.
Quero meu luto.

Nada mais fará com que esta noite seja superada.
Vou transgredi-la e transforma-la na minha felicidade.
Futura.

E enquanto assento para dar o testemunho tento não pensar na saudade que virá.
Tento ainda mais ter as mãos livres para me desamarrar.
Das pessoas que amo lá.
E dos amigos que me farão falta.
É o fim do meu amor por uma história.
Farei outra.

L.


Poesia é poeira, dizem. Não sei. Acalma.